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..Arte Religiosa

  Igrejas Barrocas

  Pertencente a um ou outro município, enquanto Distrito, Congonhas sempre irradiou vida própria. Uma vida de intenso misticismo, religiosidade e fé, que pode ser constatada, através de inúmeras igrejas que até hoje fazem parte do cenário do município.

Igreja do Rosário

  A primeira destas igrejas foi construída antes mesmo de os mineradores chegarem à região. A Igreja do Rosário, a mais antiga de Congonhas, foi construída pelos escravos em fins do século XVII e conserva até hoje a singeleza daquela época.

  A primeira metade do século XVIII ficou marcada em Congonhas como a época de intensa religiosidade, traduzida pela construção da maioria das Igrejas, que ainda hoje representam a fé de seu povo.

  Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

  A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição é parte dessa época e nela se encontravam várias fases do barroco. Tem o frontispício de Aleijadinho e pintura dos melhores artistas mineiros da época. Foi elevada à categoria de Igreja em 06 de novembro de 1749. A fachada da Igreja Matriz foi construída em estilo jesuítico do século XVIII, com duas torres, frontais com voluta e sineira, ligadas ao corpo da igreja. No Portado, decoração representando a Arca de Noé e a Pomba Imaculada, figuras bíblicas de Maria Imaculada, pairando sobre o dilúvio do pecado.

  A nave da Matriz de Nossa Senhora da Conceição é uma das maiores de Minas, e forma um só corpo, sem corredor, balaustrada em jacarandá. O grande número de imagens de santos, tanto na Igreja Matriz como em outras de Congonhas, enriquecem a composição dos altares, e comprovam a grande habilidade, fé e sensibilidade dos artistas que trabalharam no barroco mineiro. No altar lateral da Igreja Matriz, à esquerda, está a imagem de Nossa Senhora do Carmo, talhada em madeira, e no altar à direita uma imagem de Santana. Nos altares ao lado do arco se encontram a imagem de Nossa Senhora das Dores e a do Senhor dos Passos. Em outros altares, erguem-se belíssimas talhas, querubins assexuados, colunas salomônicas, folhas de parreiras. Ao fundo da Igreja estão as imagens de Cristo Flagelado "Ecce Homo" e da Nossa Senhora da Pedra Fria. No arco central, a coroa real e o escudo, sustentados por dois anjos, a indicar que a vigaria foi criada por decreto real, em 12 de fevereiro de 1734. No altar-mor se encontra a Imagem da Padroeira, Nossa Senhora da Conceição. Dos dois lados, as imagens de São Gerônimo e Santa Bárbara. E em cima do altar a imagem de São José e ao lado de todo o retábulo a representação da Santíssima Trindade. Santos e imagens, incrustados nos altares em meio às colunas decorativas, atlantis, rocalha e anjos em fino labor de talha, fazem da Matriz de Nossa Senhora da Conceição uma das mais belas igrejas de Minas.

  Igreja de Nossa Senhora da Soledade

  A Capela de Nossa Senhora da Soledade, construída também na primeira metade do século XVIII, foi filiada inicialmente à Igreja de Ouro Branco. A capela se transformou em Igreja, e nela se encontram entre outras de madeira e de gesso as imagens de Nossa Senhora da Soledade, Nossa Senhora das Dores, Santo Antônio e o Menino, São Joaquim de Bota, Nossa Senhora de Lourdes, São Sebastião, São Jorge, Sagrado Coração de Jesus e São Judas Tadeu.

  Igreja de Nossa Senhora D'Ajuda

  Por volta de 1750 era intensa a mineração em toda a região de Congonhas do Campo. Mineradores se embreavam pela mataria cerrada em busca de ouro e erguiam nos arraiais seus templos de fé. A Igreja de Nossa Senhora D'Ajuda, no distrito do Alta Maranhão, foi construída em 1746. Seus quatro altares laterais guardam à direita as imagens de Santo Antônio, Nossa Senhora Aparecida, São Benedito, Santa Efigênia, São Pedro e Nossa Senhora Concebida. À esquerda encontram-se as imagens de São Sebastião, Sagrado Coração de Jesus, São Francisco de Assis, Nosso Senhor dos Passos e São Roque. A sacristia possui ainda um altar com as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos, além de um lindíssimo chafariz em Pedra Sabão. O altar-mor guarda a imagem de Nossa Senhora D'Ajuda.

  Igreja de São José

  Já depois da virada do século, em 1817, ergue-se a Igreja de São José, muito rica em esculturas. No altar-mor encontra-se a imagem de São José, ladeado por Santo Antônio de Pádua e Santa Efigênia.

  Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

  Através de peregrinações entre vales e montes, de igreja em igreja foi sendo tecida a história do município, iniciada por aqueles homens impregnados de pó de minério e de fé. De igreja em igreja chega-se ao alto do morro Maranhão onde o português Feliciano Mendes, na segunda metade do século XVIII, fincou uma cruz tosca, e dedicando sua vida ao Senhor Bom Jesus do Matosinhos, deu início à construção do Santuário. Feliciano Mendes fizera uma promessa para recuperar a sua saúde perdida após muitos anos de trabalho na exploração de jazidas de ouro. Atendido, deu início às obras em 1757 e dois anos depois já estava pronto todo o corpo da Igreja. Uma vez mais religiosidade e trabalho se confundiam. A capela se erguia pelas mãos de Feliciano, que com um pequeno oratório do Senhor Bom Jesus do Matosinhos recolhia esmolas e donativos para a construção. As mesmas mãos que num gesto de humildade recolhia tais donativos, foram hábeis o bastante para traçar a grandiosa concepção do Santuário. Não existe nos registros nenhuma indicação com a relação ao risco e planta do Santuário, mas tudo leva a crer que Feliciano Mendes teria traçado o desenho, conhecedor que era das igrejas do Bom Jesus do Matosinhos, perto da cidade do Porto, em Portugal. E porque também o primeiro ermitão de Congonhas do Campo era "oficial de pedreiro", profissão mencionada em seu termo de entrada para a Ordem Terceira de São Francisco de Vila Rica, em 11 de janeiro de 1760. A morte o surpreendeu, em Antônio Pereira, a 23 de setembro de 1765, sem ter ainda terminado a sua igreja, que tinha até então três altares. Sobre o altar-mor, a imagem do Senhor crucificado vinha de Portugal, deixava paga a promessa.

  As obras do Santuário foram crescendo com o tempo e com o precioso trabalho dos melhores artistas da época. O Santuário de hoje, em sua excepcional grandiosidade foi fruto da imaginação e sensibilidade de nomes importantes, como Manoel da Costa Athayde, Francisco Xavier Carneiro e Aleijadinho.

  Toda a concepção do Aleijadinho e sua execução dos Passos e dos Profetas do adro, dão ao santuário uma majestade excepcional. A adequação das estátuas ao espaço arquitetônico que elas ocupam é perfeita. Em Congonhas, o gênio de Aleijadinho se libertou e foi aqui, que ele deixou as maiores obras-primas de toda sua arte barroca.

 

 
     
 
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